terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

A PERSISTÊNCIA DA MEMÓRIA





Quanto tempo ainda mais
Para tornar-me imune 
Ao seu nome?
Falta muito ainda 
Para esquecer o perfume da sua camisa
E o numero do seu telefone?
Eu que pensei que o tempo
Estaria a meu favor 
Desde aquele último abraço
Como se desatasse nossos planos
De acordo com os meses do calendário 
Em vão, eis que o tempo passa
E eu só quero que você saiba:
Que ainda sinto a sua falta
E a persistência da memória
É mais forte que o passar das horas
Quanto tempo uma pessoa
Pode estar ligada a outra?
Quanto tempo para recuperar 
Minha dignidade fragilizada?
Como é demorada 
A viagem de volta do seu mundo
Para o estado em que eu me encontrava
Antes de te conhecer
E aos poucos me esquecer
No percurso dessa estrada







domingo, 4 de dezembro de 2016

PEDAÇOS





Havia um tempo 
Em que era fácil
Imaginar a vida 
Perfeita que desejava
Era só fechar os olhos
E ali estava...
Tudo o que precisava 
Era tão fácil acreditar
Na possibilidade 
De felicidade
Em um dia novo
Mas agora 
Com muito esforço
Luto contra 
O amargo gosto
Que insiste em me lembrar:
Foi tudo tempo perdido
E os sonhos antigos 
Foram promessas 
Que a realidade quebrou
Como um frágil vidro
Agora não há tempo 
Para arrependimento
Recolho os cacos 
Sem remorso
Sigo em frente 
Passo a passo e
Sinto-me recomposto 
Organizando aos poucos
Meus pedaços espalhados
Pelo destino que escolhi
Nesta estrada




segunda-feira, 31 de outubro de 2016

RECIPROCIDADE





Prometi a mim mesmo
Que nada disso iria me abalar
Ondas e ondas batem 
Mas a rocha continua forte
Ondas e ondas batem 
Mas é preciso navegar
No mar cheio dos seus jogos estúpidos
Já sei me livrar das tormentas 
Que antes me deixavam mal
E agora...
Eu não quero mais se você não quiser 
Eu não sinto nada se você não sentir também
Eu não vou voar se você permanecer no chão
Eu não jogarei se você não estiver no meu jogo
No inicio não é fácil 
Eu bem sei
Você pode achar que são disputas de poder
Não é fácil para ninguém
Aceitar que a reciprocidade é um bem
Que nem todos podem ter
Por isso...
Eu não quero mais  se você não quiser  
Eu não sinto nada se você não sentir também
Eu não vou voar se você permanecer no chão
Eu não jogarei se você não estiver no meu jogo


quarta-feira, 3 de agosto de 2016

MATEMÁTICA DA NOSSA ORGASMIA



Eu quero estar 
No seu sonho mais louco
Todas as noites 
Esbarrar em seu corpo
No lado oposto 
...da mesma cama

Eu quero ouvir 
Seu gemido mais rouco
E do transpirar dos seus poros 
Sorver pura fragrância


Da sua saliva 
Quero provar doce gosto
Ou talvez não
...telepatia
...contemplação 
É tudo que quero

Mil e uma noites 
Nosso lençol levantando vôo
E nosso dormir é 
...consolo sincero

Ao acordar saúdam-nos
O lilás do novo dia
Tranquilo...sorrio eu
Enquanto...Você precipita-se

Mas tudo está a nosso favor
E ensinarei a você
A filosofia da nossa orgasmia
Para que enfim possa resolver
A equação que nos identifica
Para que possa compreender
A matemática que nos encerra:

...soma 
...soma 
...soma
...divide e se entrega




quarta-feira, 27 de julho de 2016

PROCURANDO DORY: Amor é Coisa Pra Se Lembrar




"Procurando Dory", filme que volta os holofotes à peixinha que roubou a cena em "Procurando Nemo", tem seu inicio um ano após os acontecimentos do primeiro filme.

A repetição do título não foi devido à falta de criatividade dos animadores da Pixar (criatividade é o que não falta àquela equipe). Mas, se no primeiro filme havia literalmente a procura desesperada de um pai pelo filho, perdido recentemente; agora, ocorre a procura de uma filha perdida dos seus pais há um longo tempo. Justamente por isso a necessidade do título "Procurando Dory", porque através dessa procura, e do reencontro com suas origens, Dory finalmente conseguirá se encontrar.

Para que isso seja possível alguns insights fornecem recordações afetivas da infância da peixinha com problema de memória. Para Dory, essas lembranças funcionam como peças de um quebra-cabeça para ser construído no decorrer dessa busca.
Há nas entrelinhas do filme uma abordagem psicológica interessante sobre a importância da catarse no processo de consolidação de memórias afetivas.

Em sua definição etimológica a palavra "catarse" vem do grego – kátharsis – significando purificação, purgação, alívio da alma por meio de uma descarga emocional provocada por um drama.
De acordo com a psicanálise, a catarse tem a capacidade de trazer à consciência memórias reprimidas no inconsciente, libertando a pessoa em análise de sintomas psiconeuróticos associados a algum bloqueio.

É muito interessante perceber em uma animação, destinada ao público infantil, essas metáforas e sutilezas que passam despercebidas ao grande público. 
Dory, além de caracterizar todo individuo que precisa de autoconhecimento, e sente-se perdido em um oceano com milhares de seres, mas que não lhes despertam identificação, não refletem sua identidade. Também funciona como um simbolo de resistência, que luta para preservar memórias e sentimentos, priorizando o reforço positivo às boas lembranças e lutando contra o esquecimento.

Isso é o que torna Dory tão adorável, especialmente nos dias atuais, em que temos a sensação  que os sentimentos são descartáveis e que há pouco empenho  na manutenção das lembranças e do amor. E sem ter conhecimento dessas questões filosóficas. Ela apenas continuou a nadar...obstinadamente! 

Se a nossa heróica peixinha Dory, mesmo com as limitações de sua memória, soube fazer um bom uso de episódios catárticos e obteve condições para tomar consciência de si mesmo, de sua situação no mundo, de suas origens e de seu destino.Também devemos utilizar a catarse ao nosso favor, seja para o autoconhecimento, evolução emocional e principalmente para mantermos vivas em nossas lembranças as pessoas que nos amam e que amamos.




quarta-feira, 15 de junho de 2016

HAVIA UMA FLOR NO MEIO DO CAMINHO





Na natureza 

Tudo é necessidade e instinto

Tudo é grandiosidade e detalhe


O mesmo princípio germinativo


Abre um botão de lírio 


E levanta vastas matas

Da necessidade dessa natureza 


Resultam coisas infinitas: 


Cosmos, homem e baratas

O homem: escravo dos seus desejos

Agente da selvageria 

Ao atender vãs vontades

Afasta-se da sua divina unidade


E ao guiar-se por desejos


Transforma a cidade 


Em um campo de batalha

Mas no amanhecer de cada dia

Nessa guerra de desejos e vontades


Eis que a natureza nos privilegia


Com sua mais bela arma

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Minha Face Underground




Rama mais frutífera da árvore
Com o fruto mais doce
No solo mais fértil do vale  
Alma gêmea da minha face 
Musa holística do corpo sarado
Com forte tendência à arte
Yin e Yang se equilibram 
No vai e vem do seu rebolado
Adepta ao veganismo e
Voltada às belezas naturais 
Anti corticóide - Pró florais de Bach
Professora de Pilates
Praticante do amor tântrico
De manhã entoa mantra sânscrito
E faz yoga no parque
É a alma gêmea 
Da soma das minhas partes


( A Evelyn)