segunda-feira, 7 de outubro de 2013

SECRETÁRIA



Secretária conta a história de Lee Holloway, uma jovem que retorna para sua dinâmica familiar em ruínas e seus dias apáticos e deprimentes, após alta de hospital psiquiátrico. Na tentativa de aliviar suas frustrações, em vão, Lee pratica flagelação através de cortes e queimaduras em seu corpo. 

A possibilidade de dar uma reviravolta em sua vida surge ao fazer um curso de datilografia e conseguir o trabalho de secretária no escritório do advogado Edward Grey, um homem dominador e cruel que não perde a oportunidade de corrigir e humilhar a deprimida jovem. 

Mas, somente Lee, que lida com seus próprios conflitos, pode compreender o que se passa na mente do advogado, alguém que aparentemente é muito diferente dela, mas que em seu íntimo mostra-se tão igual. 

A idéia central do filme vai além da história de uma secretária, que se autoflagela, e o envolvimento com seu chefe, um advogado sádico. O que torna esse filme especial é reflexão que desperta através da relação de submissão e sadismo e sua gradual transformação em aceitação e dependência. Ingredientes que crescem e confundem os telespectadores do filme. Até finalmente tornar possível a compreensão que o amor pode aceitar formas diferentes de prazer e entrega, que perante os ditos "valores morais" são discriminados e incompreendidos.

Mostra-se como uma perfeita alegoria do amor às avessas.
Diferente da ordem que estamos acostumados: Em nossa sociedade primeiro agimos com todo carinho, delicadeza e afeto em nossas investidas de conquistas. Entretanto em determinado momento nos tornamos egoístas, crueis, sádicos e dominadores e não nos damos conta disso!

Secretária é um filme peculiar por isso: mostra o caminho inverso, conta uma história de amor sob um novo prisma.Tão peculiar que acho que deveria ser advertido aos futuros telespectadores que ele é contra indicado às pessoas que não apreciam o cinema arte, questionador e inventivo. Onde a originalidade surpreende todos os clichês e fórmulas prontas.

Título: Secretaria (Secretary)
Ano/País: 2002 (EUA)
Direção: Steven Shainberg
Elenco: Maggie Gyllenhaal; James Spader;Jeremy Davies;
Lesley Ann Warren

terça-feira, 10 de setembro de 2013

FOI APENAS UM SONHO



Foi apenas um sonho (Estrada Revolucionária na tradução original), é um filme dirigido por Sam Mendes, lançado em 2009 e protagonizado por Leonardo DiCaprio e Kate Winslet.

A história ocorre nos Estados Unidos dos anos 50 e mostra o cotidiano do casal Frank (DiCaprio) e April (Kate Winslet) que após o casamento e nascimento dos filhos mudam-se para uma linda casa na Revolutionary Road.

No início eles ficam orgulhosos por manter um padrão econômico satisfatório e por Frank obter cada vez mais crescimento profissional. Enquanto April dedica-se inteiramente à casa e às crianças.
Parecia que o tão almejado "sonho americano" tornara-se realidade para eles. Tanto que até despertaram nos vizinhos e amigos admiração e status de uma família exemplar. Porém, logo eles percebem que estão se tornando justamente aquilo que não queriam ser.  Só que para entender e chegar a conclusão do que realmente querem, eles irão chegar aos seus extremos.

Com o decorrer da trama a chegada desses extremos se desenvolve através das discussões inteligentes, cheias de cobrança e questionamentos entre o casal, das atuações poderosas e o clímax só faz aumentar até o desfecho final. O diretor Sam Mendes é mestre na arte de fazer filmes cujo clímax final tem o poder de nos fazer pensar e repensar sobre a nossa dinâmica familiar. 
Faz-nos olhar dentro de nossas casas e ir além da aparente fachada. É como se nós fizéssemos uma visita ao porão de nossas casas, porão sujo e cheio de coisas que não queremos, mas que sabemos que estão lá. 
O diretor já havia nos proporcionado esse tipo de sensação com o filme: Beleza Americana (1999). Entretanto, o filme "Foi Apenas um Sonho" trouxe à tona algo mais real, que é a necessidade do ser humano de ser livre e descobrir qual é o sentido de sua existência. 
E a partir daí tudo fica mais sombrio...

Sombrio como de repente se deparar com a rotina avassaladora dos dias de uma dona de casa e sentir que aquela paixão intensa que sentia por seu conjugue, por seus filhos, pela vida e por si mesmo não é mais como antigamente. 
Em determinado momento do filme April, a personagem de Kate Winslet, diz à Frank (DiCaprio):
- "Somos apenas como todo mundo. Olhe para nós! Fomos trazidos para a mesma desilusão ridícula. Esta idéia que voce tem que desistir da vida, e sossegar no instante que tem filhos."
Sombrio como perceber que voce trabalha 10 horas por dia em um local que não suporta, só para garantir a aquisição de coisas que julga ser necessárias a vida, mas não são.

Bom...há muito mais escondido nas entrelinhas desse filme e cabe a cada um visitar seu porão para absorver a verdade da sua casa. 
Enquanto isso, Sam Mendes seja sempre bem vindo à sala de estar da minha!

terça-feira, 28 de maio de 2013

CARTAO DE PONTO




o despertador rompe
o silencio da madrugada
saem da cama
trabalhadores em sobressalto
e seguem em centenas
como manada
estourada de bois
numa vida de gado
pseudo modernidade
geração de humanos manufaturados
em filas de ônibus
congestionamento de carros
seguem aglomerados
homens- robôs
mulheres -de - lata
na catraca do metrô
passa boi
passa boiada com
carteira assinada
pra identificar o Senhor
sobrevivendo em terra de ferras
seguem com a fé
numa nova era
anunciada pelo pastor
seguem em filas
rebanho de ovelhas
homens acéfalos moderninhos
mulheres de cera maquiadas
ansiosos por uma noitada
de sexta-feira
e uma férias remunerada

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

IDENTIDADE SENTIMENTAL






A vida está tão "hi-tech" atualmente que torna-se cada vez mais complicado tornar concreto, tátil, humano algumas formas de amor e carinho em algumas atitudes simples do nosso cotidiano.

Escrevo essas linhas e recordo-me de pessoas que sofrem de uma dependencia latente de recursos tecnológicos que os mantém, através do notebook, celular e afins sempre conectados à internet.
E para esses miseráveis só é interessante o que está na rede. Mesmo quando os encontramos pessoalmente precisamos dividir a sua atenção com mensagens por celular, videos do youtube, sites diversos e principalmente por redes sociais como o Facebook.

O Facebook encontrou no Brasil solo fértil para essa pseudo-socialização online e conta com o maior indice de conectados do mundo. E nos permitiu a vaga sensação de conhecer alguem através das idéias divulgadas na internet. 

Mas pretendo alertar o fato de que as nossas ideias sobre o comportamento humano e as realizações humanas, expressas nessas centenas de perfis online, são todas mais ou menos iguais: percebe-se o desejo latente de sentir-se querido, ter finais de semana de farra, criticar o que julga errado e exaltar futilidades. Portanto não são uma boa maneira de atrair outras pessoas.

Outro ponto importante: o corpo não é uma entidade secundária que está à disposição de um clique e  também não é  de leitura digital. A mente contém pouquíssimas verdades que o corpo é capaz de esconder. Quando dois corpos se encontram, quase tudo que é importante se revela rapidamente. E até que os corpos sejam apresentados um ao outro, a "sedução hi-tech" é apenas provisória. Essa atração digital esfria, congela, derrete e evapora sem o menor contato.

Precisamos urgente  desenvolver uma identidade sentimental: Sentir nosso corpo com nossos instintos, ouvir nossa intuição com o espirito, abraçar com nossos musculos, ouvir com calma e com o ouvido, tocar a pele com carinho, olhar nos olhos e ser ouvido...
Precisamos ser e estar de corpo e alma acima de tudo.



terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

MENTIRAS



Olhos nos olhos
Quem está falando a verdade?
Essa é a hora
O momento de agir
Olhos nos olhos
Mentir é artificio de covarde
Mostra quem és
Eu sou quem sou
Somos imperfeitos
Metades
Porção que pouco a pouco
Se enche, se esbalda
Na cumplicidade

Mas o nosso barco
Encalha em
Afluente que seca
Em mar que cabe
N'um balde d'àgua
Quando a confiança
Deixa de existir
Olhos nos olhos
Quem está falando a verdade?
Essa é a hora
O momento de agir...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

ANO NOVO




O que vejo no espelho
Vem dizer-me que sou jovem
Mas o que de fato percebo é que
Nesse espelho não reconheço 
Quem está preso no corpo reflexo
Num mundo em que parece estar alheio
 Do fim daquilo tudo que julgava correto
Astrologia, religioes, filosofias
E a unica certeza de dias incertos mas
Eis que nasce denovo a esperança
Em mais um ano que inicia
E ainda tenho um sonho contido
Um brilho nos olhos e
O suor na testa
Encaro-me novamente no inicio de mais um dia
num espelho que nao reflete
A vida em plena forma
E reformando meus erros
Eu sigo, eu sigo, eu sigo...
E erro
E como erro!!
E reinvento uma nova possibilidade
...a cada dia
Acredito em novas mentiras
E bebo gota a gota da fonte da vida
E com palavras afogo meus sentimentos em poesia
e Confidencio em pensamento
Que valeu a pena ter vivido
Cada segundo dessa vida incerta...