segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A LIBIDO DOS CORPOS CELESTES






Não creio que os corpos celestes
Fiquem inertes e solitários no espaço
Eles têm sexos diferentes
Buscam-se e 
Querem-se

Eles trocam confidências e carências
Trocam figurinhas e satélites
E às vezes sua órbita altera
Sai do eixo conhecido
E vai transar com outra esfera

Creio que o cometa
Seja mais do que simples orbe celeste
Formado de gás e poeira
Que rente ao sol
...se esvaece

Creio que os planetas
Fazem do infinito
Um papel para seus rabiscos
E que as estrelas
Astros luminosos

São asteríscos, virgulas e pontos
Dos escritos dos nossos sortilégios
Num livro de astrologia
Repleto de mapas e constelações
Feitas pelos planetas no colégio

Creio que os corpos celestes
São poetas
São poetisas
Que ao homem ironiza e
As leis da física desprezam


Creio que os planetas
Organizam saraus todos os dias
Fazem orgias às quintas
E aos domingos vão à missa e...
rezam

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

SIMPLICIDADE





Entornar um copo cheio de pureza
Na fogueira das vaidades
E descer por goela abaixo
Uma dose plena de desejo
Desejo de pano estampado
Banho de chuva, canteiros,
Cantigas, cirandas, pés descalços no gramado
Sorriso gostoso, abraço acolhedor,
Corpo suado, textura do tato,
Dias quentes, noites frias, 
Tardes cinzas, tempos de tempestade
Até que o sol dentro de ti
Enrolado em suas tripas
Dê as caras
Para...
Estar realmente conectado
À luz da verdade
Com todo o meio
Com a perdida metade
De todos os bichos
Todas mulheres
Todos os homens
Um todo feito de muitas partes
Entregar-se por inteiro
Estar à vontade
Com todos os corpos
Todas as carnes, caules, poros, e pêlos
Na sintonia das almas
Na comunhão da simplicidade