segunda-feira, 24 de agosto de 2015

A RESPOSTA QUE O GOOGLE NÃO OFERECE


(René Magritte) 


Com o avanço tecnológico e com a velocidade assustadora da divulgação de noticias na internet, também veio a falsa sensação de saber mais. Mesmo que seja um conhecimento raso e sem grandes reflexões acerca do assunto. No momento ficamos com a sensação de termos nossa mente impregnada de informações a todo tempo sobre diversos assuntos.

Reflexo causado em decorrência da explosão de mídias digitais, que permitiram uma interação maior. Possibilitada principalmente pela internet, que tem no Google um oceano de informações disponíveis a qualquer navegante que, na ânsia de tentar compreender tudo que o cerca, se perde no meio do caminho e torna-se uma pessoa focada em um cientificismo exagerado, que a afasta de sua intima essência e instiga um processo de desumanização em sua relação com o outro e com o mundo. Deixando de conhecer a si mesmo.

Verdade e conhecimento sempre foram preocupações da filosofia, desde sua origem, até os dias atuais. Porém, antes de se esforçar para conhecer de forma clara e racional a natureza, o ser humano e o universo que pertencemos, a filosofia incentiva o "Conhece-te a ti mesmo". Frase relacionada ao filosofo Sócrates, que encontra-se inscrita na entrada do Templo de Apolo (Deus da Luz e da Verdade) na Grécia.

E para absorver o real sentido da frase "Conhece-te a ti mesmo" faz-se necessário contextualizá-la, uma vez que, os filósofos anteriores a Sócrates buscavam a compreensão da procedência do mundo e das coisas a sua volta, tentando encontrar o fundamento de seus mecanismos.

Foi a partir da filosofia de Sócrates, que houve mudança no elemento de pesquisa, direcionando seus questionamentos e reflexões ao homem em si. Na busca, não só do conhecimento do mundo, mas sobretudo, na busca do auto conhecimento como representação da Verdade.

Mas o auto conhecimento não é tarefa fácil, pois não se encontra de forma didática em livros, não está presente em livros de auto ajuda, e não é um ato unicamente intelectual. O processo de conhecer a si mesmo exige mergulhos internos profundos, muitas vezes em águas turvas, em uma espécie de viagem psicológica ininterrupta.

Só quando a pessoa conhece a si mesma e tem contato com sua essência, passa a compreender seus anseios e enxerga o mundo vasto, do qual faz parte, em sua totalidade. Independente de todo conhecimento técnico acumulado sobre coisas, ou conceitos metafísicos e religiosos. Porque encontra a sua verdade e adquire um significado na vida. E conseqüentemente, com uma vida significativa, encontrará a plena felicidade.

O que nos faz lembrar a concepção de felicidade segundo a filosofia estóica, importante escola filosófica originária do período pós Socrático, que propôs a necessidade do homem viver de acordo com a lei natural. Para os estóicos, o objetivo da vida é a obtenção de felicidade. E ainda de acordo com esses pensadores, busca-se a felicidade ao viver em conformidade com a natureza; E alguma coisa só vive de acordo com a natureza quando exercita com excelência aquilo que foi projetado para fazer. Esta sim é a felicidade plena, chamada por esses estudiosos de “eudaimonia”.

Mas só saberá o que foi projetado para fazer após conhecer a si mesmo!


Então, ficamos com essa difícil lição de casa há tempos proposta por esses sábios filósofos: Conhecer a nós mesmos para encontrarmos a nossa Eudaimonia, a nossa felicidade.  Por enquanto, a única certeza que tenho é de que no Google não encontraremos a resposta.



domingo, 16 de agosto de 2015

O EXERCÍCIO DAS PEQUENAS COISAS





Nas manhãs quentes
De horas apressadas
Pessoas geladas passam
Sem tempo de mais nada

Por entre outras pessoas 
Que também passam
Pelos mesmos endereços e
Talvez morem na mesma quadra

Enfileiram-se em caixas eletrônicos, escadas
cruzam-se na frente 
Do mesmo banco da praça
Sem tempo de notar quem passa

Pessoas diferentes, frente a frente
Na hora do rush  na mesma caixa metálica
Saem vestidas com ternos e jeans
Adornadas com laços e gravatas

Mas seus sonhos ficam trancados
Anestesiados pela pressa do tempo
Esquecidos em algum canto
Empoeirado da casa...

Ficam à espera de um raio solar
Bater à janela e transpassar a vidraça
Projetando no chão formas mágicas
Que deslizam, se unem 

E perfeitamente nos sonhos encaixa
Formando pares e dançando tango
Pelos cantos da casa
Enquanto as pessoas geladas

Seguem em solos cambaleantes
Desviando-se nas ruas,
Nas escadas e
Nas praças.