(René Magritte)
Com o
avanço tecnológico e com a velocidade assustadora da divulgação de noticias na
internet, também veio a falsa sensação de saber mais. Mesmo que seja um
conhecimento raso e sem grandes reflexões acerca do assunto. No momento ficamos com a sensação de termos nossa
mente impregnada de informações a todo tempo sobre diversos assuntos.
Reflexo
causado em decorrência da explosão de mídias digitais, que permitiram uma
interação maior. Possibilitada principalmente pela internet, que tem no Google
um oceano de informações disponíveis a qualquer navegante que, na ânsia de
tentar compreender tudo que o cerca, se perde no meio do caminho e torna-se uma
pessoa focada em um cientificismo exagerado, que a afasta de sua intima
essência e instiga um processo de desumanização em sua relação com o outro e
com o mundo. Deixando de conhecer a si mesmo.
Verdade e
conhecimento sempre foram preocupações da filosofia, desde sua origem, até os
dias atuais. Porém, antes de se esforçar para conhecer de forma clara e
racional a natureza, o ser humano e o universo que pertencemos, a filosofia
incentiva o "Conhece-te a ti mesmo". Frase relacionada ao filosofo
Sócrates, que encontra-se inscrita na entrada do Templo de Apolo (Deus da Luz e
da Verdade) na Grécia.
E para
absorver o real sentido da frase "Conhece-te a ti mesmo" faz-se
necessário contextualizá-la, uma vez que, os filósofos anteriores a Sócrates
buscavam a compreensão da procedência do mundo e das coisas a sua volta,
tentando encontrar o fundamento de seus mecanismos.
Foi a partir da filosofia de Sócrates, que houve mudança no elemento de pesquisa, direcionando seus questionamentos e reflexões ao homem em si. Na busca, não só do conhecimento do mundo, mas sobretudo, na busca do auto conhecimento como representação da Verdade.
Foi a partir da filosofia de Sócrates, que houve mudança no elemento de pesquisa, direcionando seus questionamentos e reflexões ao homem em si. Na busca, não só do conhecimento do mundo, mas sobretudo, na busca do auto conhecimento como representação da Verdade.
Mas o
auto conhecimento não é tarefa fácil, pois não se encontra de forma didática em
livros, não está presente em livros de auto ajuda, e não é um ato unicamente
intelectual. O processo de conhecer a si mesmo exige mergulhos internos
profundos, muitas vezes em águas turvas, em uma espécie de viagem psicológica
ininterrupta.
Só quando
a pessoa conhece a si mesma e tem contato com sua essência, passa a compreender
seus anseios e enxerga o mundo vasto, do qual faz parte, em sua totalidade. Independente
de todo conhecimento técnico acumulado sobre coisas, ou conceitos metafísicos e
religiosos. Porque encontra a sua verdade e adquire um significado na vida. E
conseqüentemente, com uma vida significativa, encontrará a plena felicidade.
O que nos
faz lembrar a concepção de felicidade segundo a filosofia estóica, importante
escola filosófica originária do período pós Socrático, que propôs a necessidade
do homem viver de acordo com a lei natural. Para os estóicos, o objetivo da
vida é a obtenção de felicidade. E ainda de acordo com esses pensadores,
busca-se a felicidade ao viver em conformidade com a natureza; E alguma coisa
só vive de acordo com a natureza quando exercita com excelência aquilo que foi
projetado para fazer. Esta sim é a felicidade plena, chamada por esses
estudiosos de “eudaimonia”.
Mas só
saberá o que foi projetado para fazer após conhecer a si mesmo!
Então,
ficamos com essa difícil lição de casa há tempos proposta por esses sábios filósofos:
Conhecer a nós mesmos para encontrarmos a nossa Eudaimonia, a nossa felicidade. Por enquanto, a única certeza que tenho é de que no Google
não encontraremos a resposta.



