Ontem, 10 de maio, completei mais um ano de vida...
E só percebo como o tempo passou rápido ao analisar a progressão das gerações na minha familia. Somente agora está caindo a ficha que estou na adultice com suas dores e delicias.
A minha percepção de tempo tem como referencial familiares e amigos que fizeram parte da minha infância, adolescência e vida adulta e percebo que eles mudaram. Foi uma mudança física, comportamental, regional, e até sentimental na maneira de se relacionarem comigo.
E as gerações avançam: meus avós faleceram, meus pais estão na Terceira Idade, meus irmãos e eu nos tornamos adultos e meus sobrinhos e filho estão na pré adolescência.
Aristóteles, filósofo grego, fundamenta a relação do tempo ao movimento no âmbito da sensação. Seu argumento sugere que quando nós mesmos não mudamos o pensamento ou não sentimos a mudança, não nos parece ter ocorrido tempo.
Sendo assim, de acordo com Aristóteles, a percepção do tempo traria consigo a articulação das sensações segundo a consecutividade, expressa na estrutura: anterior - posterior – e a simultaneidade, enquanto relaciona-se com diversas sensações em um instante.
Eu mudei bastante, porque utilizei meus sentidos precocemente na maneira de sentir a vida. E agradeço à maneira com a qual me relacionei com essas sensações, pois elas possiblitaram eu ser esse adulto que sou, com minhas influências, idéias, valores, prazeres e desabores de ser quem eu sou hoje.
E admito que não estou muito diferente daquela criança sonhadora que pensava que tudo seria infinito. Na minha infância o futuro era um lugar muito distante, os meus dias pareciam infinitos, pensava que meus entes queridos seriam infinitos e o meu tempo parecia ser infinito.
Porém a obra "O Leviatã" de Thomas Hobbes (filósofo inglês do séc. XVII) indica o quanto essa idéia infantil não pode ser concebível porque, segundo o autor: "seja o que for que imaginemos é finito".
Portanto não existe qualquer idéia ou concepção, de algo que denominamos infinito. Nenhum homem pode ter em seu espírito uma imagem de magnitude infinita, nem conceber uma velocidade infinita, um tempo infinito, ou uma força infinita, ou um poder infinito.
Quando dizemos que alguma coisa é infinita, queremos apenas dizer que não somos capazes de conceber os limites e fronteiras da coisa designada, não tendo concepção da coisa, mas de nossa própria incapacidade.
Mas, diferentemente da idéia de Hobbes, só nesse exato momento "adulto", sem a idéia do infinito de outrora é que estou admitindo a minha própria incapacidade. Sentindo que a necessidade dos adultos de adquirir status, de conquistar mais, comprar mais e possuir mais não foi alcançada!
Hoje, com a estranha sensação de tempo perdido, percebo que "o infinito" e "o futuro" é "o agora" e está presente no próximo TIC que antecede o TAC do meu relógio, ou vice-versa.
tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac.............

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