segunda-feira, 26 de novembro de 2012

CIUME E AMOR



















O ciúme e o amor são como mar e esgoto
Ciúme gela os pés, morde o pescoço
Amor beija a tez
...traz a paz
Ciúme faz ranger os dentes
Rói teu osso
Pede mais do mesmo
Do mesmo desgosto
Faz você refém no corpo de um outro
Alguém que nunca está

O Amor só te faz bem
Bem querer
Bem disposto
Bem me quer - bem me quer - bem me quer amar
e...

O ciúme despetala qualquer adorno
E te afoga aos poucos
Pra trazer à tona um boquirroto
esquizofrênico e afoito
...à espera do telefone tocar


domingo, 30 de setembro de 2012

KAMIKAZE SUICIDA




Ele é um bicho faminto
Que solta-se das grades do domínio
À procura de alguma lembrança
Nas noites frias de domingo
Algum Vestígio de esperança
Que sacie sua sede de acalanto
Sua fome de carinho

...é um mau economista
Relaciona-se a juros contínuo
E paga um preço abusivo por querer
Um pra sempre
Um bem querer surrealista
Que sempre insiste em ser pouco
E que esquece de "pra sempre" ser

É terra de ninguém em guerra
Saqueada pelo país vizinho
...aquele Kamikaze suícida
Que desconhece o inimigo e
Inebriado em tanto apego
Morre um pouco todos os dias
Sem perceber que em seu distintivo está gravado:

"Amor"

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

UMA XÍCARA DE CAFÉ E DOIS ORGASMOS





Todos os dias religiosamente Joana acordava o esposo às sete horas da manhã. Desempenhava essa função durante doze anos, mas há aproximadamente cinco anos,  pouco antes dos gêmeos nascerem, o casal deixara de ser conjugues amantes e esfriaram as relações de afeto comum, dedicando-se apenas a ser pai e mãe.

Nem lembravam que acima de tudo eram homem e mulher, perdendo aquele romantismo e interesse  dos primeiros anos de casamento. E desde então parecem dois estranhos que deitam e dormem na mesma cama.


O casal que aos olhos dos vizinhos era "modelo de felicidade", na verdade seguia um script onde cada um apenas desempenhava suas funções triviais: Ele dividindo-se entre dois trabalhos, a hipoteca da casa, e o futebol com os amigos no domingo. Ela dividindo-se entre cuidar dos filhos, da casa, ir à igreja e acordar o marido.

Eles realmente estavam distantes e Joana sentia como se houvesse um oceano os separando naquela cama que fora com tanto afinco preparada: Perfumara os lençóis de linho egípcio, escolhera a melhor camisola, soltara os cabelos...e ao olhar-se no espelho nem tinha a feiúra como cúmplice para culpá-la pela falta de interesse do marido.

Porque Joana, de fato, era uma mulher muito bonita: madura, de trinta e seis anos de idade, com pele lisa, alva, com traços faciais delicados, olhos castanhos como um fim  de tarde, lábios de um carmim natural e um corpo esquio com aquela elegância natural da mulher que já passou dos trinta. Evitava usar decotes pois suas mamas por si só já tinham personalidade forte, a cintura fina bem marcada funcionava como uma fronteira onde os seus peitos, fartos e duros, tentavam dominar o território.


E se por um lado o diabo parecia habitar naqueles seios, por outro sua personalidade dócil, séria e olhar de anjo conseguiam exorcizar todos os demônios dos olhares dos homens que porventura a observavam com olhares maliciosos.

Entretanto o marido aparentava ser muito mais velho do que realmente era. Exibia uma discreta cálvice frontal, emoldurada em um rosto redondo sério, mas de uma seriedade diferente à de Joana, era uma seriedade insípida, inexpressível. Estava acima do peso e vivia envolto em dietas mal sucedidas e preocupado demais com dividas e trabalho. Mas aos olhos da esposa o infeliz era "o pai dos seus filhos" e isso o tornava o homem mais bonito do mundo.


E toda noite, após colocar as crianças para dormir, deitava-se ao lado do homem mais bonito do mundo na expectativa de um toque de carinho. Porém a essa altura o infeliz já estava entregue ao sono e a única sensação de partilha que desfrutava era ouvir durante a noite inteira o ronco alto do marido.


E na madrugada vangloriava-se, dizendo baixinho a si mesma como era forte. Como se suportar àquela situação a atribuísse status de "mártir matrimonial" e degustava o sentimento de missão cumprida por mais um dia. Ora bolas, as crianças estavam bem, a casa estava limpa o jantar estava saborosíssimo...o que mais esperar da vida? E reconfortada tentava dormir, mesmo sem sono, pois pela manhã tinha que acordar o marido.

E este era o único momento de contato fisico entre o casal: acordá-lo pela manhã.
Já que o condenado trabalhava durante doze horas cada dia em um hospital. À noite, exausto, jogava-se na cama e nenhum alarme, grito, sinal poderia despertá-lo pela manhã. Mas bastava um simples toque, ou no máximo umas três sacudidas e o pobre despertava com um pulo desesperado.

Sendo assim, todas manhãs, Joana sentia seu coração disparar e suas mãos suarem segundos antes dessa tarefa. E tentava não pensar como aquilo era indiferente para ele. Mas para ela tocar no pijama do marido, era aproveitar um dos poucos momentos de contato entre o casal.

Suava frio ao repousar a palma da mão em sua pele, apertar um pedaço do seu músculo e movimentar seu corpo inicialmente suave contemplando cada segundo daquela atividade como se aquilo fosse o ato mais libidinoso possível e pouco depois com movimentos frenéticos chegava ao clímax até o infeliz  de sobressalto pular da cama, calçar os chinelos e dirigir-se ao banho sem dizer uma palavra... nem sequer um obrigado.

E enquanto o esposo tomava banho aproveitava para preparar-lhe o café da manhã. Encarando tal tarefa como se fosse um ritual incumbido somente à sua pessoa. Sentia-se como um alquimista dosando a quantidade exata de pó, àgua e açucar para deixar a bebida no ponto que o marido gosta.

E desempenhava essa tarefa com uma satisfação única. Frequentemente nesse momento recordava de uma música do Chico , "Com Açucar e Com Afeto", e inevitavelmente seus olhos marejavam, mas o vapor da àgua em ebulição ao coar o café disfarçava seu pranto e logo o aroma do café consolaria seus desabores proporcionando um misto de dor e prazer.

E como um sádico aquele aroma de café a excitava todas as manhãs... 

Além dessa sensação sadomasoquista, Joana também nutria um sentimento de gratidão para com o bule de café. Pois prepará-lo para o marido era como misturar uma poção mágica, milagrosa que os aproximavam por alguns instantes e também tinha um sentimento de amizade com o jogo de xicaras de porcelana no qual servia o marido.


Essa mania de atribuir sentimentos à coisas inanimadas, como ter gratidão ao bulé de café, cultivar amizade com xícaras de porcelana talvez explique o amor que Joana tinha pelo infeliz...


E esse amor a tornara  uma escrava doméstica que servia o esposo inanimado com afinco. Todas as manhãs, seguia esse ritual de redenção do seu matrimônio, que todos chamam de "preparo do café" e após sentava-se à mesa na sua frente e aguardava ansiosamente o momento dele tomar o primeiro gole da xícara de café.


Os segundos que antecediam essa atividade funcionavam como um mecanismo de recompensa de prazer para Joana. Como se estivesse a acariciar o ponto exato em seu corpo capaz de lhe fazer sentir o mais intenso de todos os prazeres.

Em breve o rosto, antes inexpressivo, da criatura inanimada que seu marido havia se tornado com o passar dos anos, iria se transformar  em um misto de gozo, gratidão e alegria enquanto olhava bem fundo nos olhos da esposa. Não dizia nenhuma palavra, e naquele momento nem era necessário! Todas as palavras, poemas, sonetos gritos seriam desnecessários...bastava olhar, apenas olhar a cara de satisfação dele era como um orgasmo matinal para ela.

Já ouvira falar em orgasmos múltiplos na televisão e lera em algumas revistas femininas sobre o assunto  e podia  afirmar com certeza que aquela visão pela manhã era tão poderosa, ou mais, que um orgasmo múltiplo. E dia após dia gozava assim: em silêncio, em paz, sem que ele soubesse.

Eis que num fatídico dia Joana acordou o marido, levantou-se e preparou o café com o mesmo ritual de redenção: o sadomasoquismo com o aroma do café, o sentimento de gratidão pelo bule e a sensação de amizade com as xícaras de porcelana como de costume a encontraram. Joana serviu o café ao marido, sentou-se à sua frente e ficou na expectativa da vinda de orgasmos múltiplos fantásticos.

Mas subitamente o marido infeliz, sem dizer uma palavra levantou-se, foi até entrada da casa, abriu a porta, abaixou-se e pegou um embrulho na soleira da porta. Voltou com o embrulho que estava em um saco plástico. Sentou-se à mesa, rasgou o embrulho e retirou o jornal. Abriu aquela folha enorme do caderno de economia que cobriu sua cara inteira e sem desgrudar os olhos da página puxou a xícara para si e ainda com toda cara escondida por aquele jornal imenso tomou o seu cafésem que Joana pudesse observar o seu rosto...e disse apenas uma frase: "Fiz assinatura desse jornal".

Nesse momento o semblante de Joana transfigurou-se, a esposa outrora tão dócil e angelical,  sentiu nascer em seu  intimo mais um sentimento por objetos inanimados: a partir daquele dia Joana passou a odiar os jornais impressos, sobretudo o caderno de economia.

E num ato de fúria a esposa gritou alto, tão alto que o bairro inteiro ouviu. Em seguida quebrou as xicaras de porcelanas com raiva, trocou o bule por uma cafeteira elétrica e às escondidas passou a frequentar cafeterias usando vestidos com decotes ousados e sempre na companhia de um desconhecido e, às vezes, num ato de infidelidade transava com alguns deles mas tornou-se uma mulher frígida e nunca mais obtivera um daqueles fantásticos orgasmos...


domingo, 29 de julho de 2012

ENTRE GENÉRICOS E LEMBRANÇAS




Hoje, ele finalmente decidiu ir à casa da tia avó que desde o natal não mais recebeu sua visita. No caminho ponderava o fator determinante de todo esse tempo de ausencia. Talvez fosse falta de tempo, a distancia ou excesso de amigos para dividir sua atenção. Mas em seu intimo tinha plena certeza que nada disso era verdade! E preferiu não pensar mais em nada até chegar lá...

Enquanto tentava estabelecer uma comunicação com a tia avó já bem velhinha, com déficit auditivo considerável, saúde debilitada, mas cuja memória estava preservada, ele mantinha seus olhos nos dela e falava pausadamente, na tentativa que ela lesse seus lábios,  sobre como estava sua vida, como as crianças cresceram, como o tempo passa rápido e a vida é boa.

Em um determinado momento ele olhou a estante recheada de medicamentos genéricos e entre a pilha de embalagens de vitaminas, anti hipertensivos, analgésicos e companhia ele encontrou um porta retrato com uma foto antiga.

Pois bem, a sua idéia era resgatar as lembranças, os fatos, queria reviver situações e ressuscitar pessoas da mente da sua tia avó. Por um segundo ficou com medo de despertar memórias tristes,  porém sabia a importância da catarse na vida de um velho que dificilmente recebe visitas e vive entre o medo das quedas e das tosses noturnas.

A catarse, é um processo mental  motivado por uma descarga emocional provocada por um drama. E esse fenômeno iria fazer com que ela se sentisse viva. Entretanto o que não poderia imaginar é que a catarse maior ele mesmo sofreria.
A conversa teve um tom de saudade, na foto havia uma moça ao lado de minha tia avó, há aproximadamente 20 anos fora revelada aquela fotografia, e em sua voz ele percebeu alegria ao passo que ela lembrava as pessoas que estavam presentes na sua vida naquela época e hoje em dia não estão mais.
Percebeu um tom de saudade em suas palavras, ela disse "todos já se foram", sentiu um certo medo da morte nos seus olhos, um sentimento de perda no ar...

Mas depois dessa conversa ele conseguiu convencê-la que não houve "perdas", e que tudo valeu a pena! Só houve ganhos, oportunidades, presentes que a vida traz sem amarras, e que não podemos aprisionar...  Assim começa nossa liberdade, ou pelo menos uma tentativa de ser livre no mundo em que criamos tantos laços!! E após essa conversa ele se depediu com um abraço carinhoso.

E voltando para a sua casa, ele refletiu sobre tudo isso e pôde iniciar sua maior catarse....

segunda-feira, 28 de maio de 2012

O ATO



















Vês, como é formidável esse espetáculo
Chamado "Vida", que dia a dia ensaiamos
No grande palco de nossas quimeras

Através de personagens não definidos
A mera vontade do destino
Conduziu-nos a atuar a mesma peça

Deixamos nossos rostos sem máscaras
Nossa pele sem panos e...
Que esteja em meus planos
Seu improviso insensato

Como Narciso diante do espelho...nos admiramos
Na vanglória de um gozo
Fecham-se as cortinas e
Recomeçamos mais um Ato


quinta-feira, 10 de maio de 2012

NESSA DATA QUERIDA...




Ontem, 10 de maio, completei mais um ano de vida...
E só percebo como o tempo passou rápido ao analisar a progressão das gerações na minha familia. Somente agora está caindo a ficha que estou na adultice com suas dores e delicias.

A minha percepção de tempo tem como referencial familiares e amigos que fizeram parte da minha infância, adolescência e vida adulta e percebo que eles mudaram. Foi uma mudança física,  comportamental, regional, e até sentimental na maneira de se relacionarem comigo.

E as gerações avançam: meus avós faleceram, meus pais estão na Terceira Idade, meus irmãos e eu nos tornamos adultos e meus sobrinhos e filho estão na pré adolescência.

Aristóteles, filósofo grego,  fundamenta a relação do tempo ao movimento no âmbito da sensação. Seu argumento sugere que quando nós mesmos não mudamos o pensamento ou não sentimos a mudança, não nos parece ter ocorrido tempo.

Sendo assim, de acordo com Aristóteles, a percepção do tempo traria consigo a  articulação das sensações segundo a consecutividade, expressa na estrutura:  anterior - posterior – e a simultaneidade, enquanto relaciona-se com diversas sensações em um instante.

Eu mudei bastante, porque utilizei meus sentidos precocemente na maneira de sentir a vida. E agradeço à maneira com a qual me relacionei com essas sensações, pois elas possiblitaram eu ser esse adulto que sou, com minhas influências, idéias, valores, prazeres e desabores de ser quem eu sou hoje.

E admito que  não estou muito diferente daquela criança sonhadora que pensava que tudo seria infinito. Na minha infância o futuro era um lugar muito distante, os meus dias pareciam infinitos, pensava que meus entes queridos seriam infinitos e o meu tempo parecia ser infinito.

Porém a obra "O Leviatã" de Thomas Hobbes (filósofo inglês do séc. XVII) indica o quanto essa idéia infantil não pode ser concebível porque, segundo o autor: "seja o que for que imaginemos é finito".

Portanto não existe qualquer idéia ou concepção, de algo que denominamos infinito. Nenhum homem pode ter em seu espírito uma imagem de magnitude infinita, nem conceber uma velocidade infinita, um tempo infinito, ou uma força infinita, ou um poder infinito.

Quando dizemos que alguma coisa é infinita, queremos apenas dizer que não somos capazes de conceber os limites e fronteiras da coisa designada, não tendo concepção da coisa, mas de nossa própria incapacidade.

Mas, diferentemente da idéia de Hobbes, só nesse exato momento "adulto", sem a idéia do infinito de outrora é que estou admitindo a minha própria incapacidade. Sentindo que a necessidade dos adultos de adquirir status, de conquistar mais, comprar mais e possuir mais não foi alcançada!

Hoje, com a estranha sensação de tempo perdido, percebo que "o infinito" e "o futuro"  é "o agora" e está presente no próximo TIC que antecede o TAC do meu relógio, ou vice-versa.

tic tac, tic tac, tic tac, tic tac, tic tac.............

sábado, 28 de abril de 2012

A PELE QUE HABITO - QUEM É VOCÊ?





A Pele que Habito, filme lançado em 2011 dirigido por Pedro Almodóvar conta a história de Richard Ledgard (Antonio Bandeiras) um cirurgião plástico que após a morte da sua mulher num acidente de carro, se interessa pela criação de uma pele com a qual poderia tê-la salvo. 

Doze anos depois, ele consegue cultivar esta pele em laboratório, aproveitando os avanços da ciência e atravessando campos proibidos da ciência. No entanto, com o avanço do filme iremos perceber que este não foi o único delito que o cirurgião cometeu.

Um conto moderno à la Frankenstein de Mary Shelley, uma referência a esse romance gótico publicado em 1818 assim identifiquei " A Pele que Habito",  mais novo filme do cineasta Pedro Almodóvar. Como na obra de Shelley no filme há a reflexão sobre os limites da medicina, as questões envolvidas na ética profissional médica e a relação entre criador e criatura, em um aspecto ficticio de criação artificial de um ser.

Porém, como Almodóvar questiona conceitos característicos a sua obra num âmbito passional, sexual, psicológico e muito intimista "A Pele que Habito" teve como referência "Mygale" o romance de Thierry Jonquet publicado em 1984.

Gosto dos filmes do Almodóvar pelas reflexões que despertam no desenrolam da trama e que continuam a nos provocar quando sobem os créditos do filme e que permanecem a nos questionar a todo instante sobre temas tão humanos explorados de maneira caricata nos seus filmes, mas que sempre identificamos como medos, angústias e aflições bem próximas à nossa realidade.

Após esse filme pensei sobre muitas coisas, muitas coisas... principalmente sobre o conflito entre o corpo e a mente. Tais questões vieram à tona:
Como viver em uma pele que não representa o seu "eu", a sua identidade?
Como entrar em contato com sua força interior e equilibrio independente de concepções estabelecidas sobre sua identidade de gênero?
Como adaptar-se à uma realidade que não condiz com a sua idéia sobre seu corpo?

Agradeço a Almodóvar pois com "A Pele que Habito" tornei-me uma pessoa melhor, livre do  preconceito que tinha a respeito da Transexualidade ou qualquer outro preconceito relacionado  à idéia do corpo e da mente. E após esse filme conheço-me melhor...

E você? Conhece quem você realmente é?


domingo, 22 de abril de 2012

O NOVO INDIANA JONES




Semana passada assisti em DVD "As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne", filme com assinatura de Steven Spilberg na direção e produção de Peter Jackson. Esses atributos por si só já bastariam para dar credibilidade e tornar obrigatória a sessão cinema desse filme.

Afinal a junção de gênios da sétima arte que produziram sucessos como: E.T - o Extraterreste; Os Caçadores da Arca Perdida; Jurassic Park (Steven Spielberg) e  O Senhor dos Anéis; King Kong (grandes sucessos de Peter Jackson) só poderia render uma aventura fantástica para toda família curtir numa matinê de domingo.

As Aventuras de Tintim foi baseado em uma das histórias em quadrinhos européias mais populares do século XX, criada pelo autor belga Hergé.
Tenho boas recordações da animação produzida pela Nelvana para a televisão e exibida na TV Cultura em meados dos anos 90. Foi meu primeiro contato com esse jovem repórter herói chamado Tintim que é sempre auxiliado em suas aventuras  por seu fiel cãozinho, fox terrier, Milu,  pelo Capitão Haddock e os  atrapalhados detetives Dupond e Dupont em mistérios ambientados na época da  insurreição bolchevique na Rússia, da Segunda Guerra Mundial e da Alunissagem.

 Todo esse riquíssimo material produzido por Hergé foi um prato cheio para Spielberg criar um novo Indiana Jones, feito de computação gráfica e saltando em 3D na tela do cinema, na pele de Tintim.

Com certeza a sede de fortes emoções desse cineasta pode ser saciada fazendo-nos ficar com vertigem por causa das aventuras desse repórter e seus amigos no mar, no céu e na terra. Viajando da Europa para o Marrocos e conhecendo cenários e personagens inesquecíveis!

Eu adorei "As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne" e aguardo os próximos filmes da série para assistir com meu filho.

#Obrigado Spielberg por me fazer sonhar cada vez mais!

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

SUPER HUMANOS




Em setembro de 2011 iniciei um novo trabalho em uma área na qual nunca havia atuado: um Hospital Psiquiatrico. E devo dizer que desde então esse novo trabalho fez-me refletir muito sobre a Psique.




"Psique" é o conceito que abrange as ideias da alma, ego e mente e as patologias que são cuidadas nesse hospital, tais como: esquizofrenia, transtorno afetivo bipolar, psicose e depressao, envolvem alterações justamente sobre esses conceitos.
Um fato que deixou-me apreensivo foi constatar o alto índice de internações decorrente de transtornos depressivos, principalmente em mulheres na faixa etária de 30 a 50 anos.
É notorio e há consenso na discussão da saude pública que as mulheres são mais acometidas por depressão do que o homem, numa proporção de 3:1.



Sabe-se que os fatores genéticos e hormonais conferem uma das causas diferencias da prevalência de depressão nas mulheres, como um presente de grego através do período pré menstrual, uso de contraceptivos orais, pós parto e menopausa a mulher fica mais vulnerável. Mas venho criticar nesse blog a causa SOCIAL, que é mais perversa ainda, representada no contexto que a mulher adquiriu em nossa sociedade.




A mulher do século XXI mudou, adquiriu mais responsabilidades, trabalha fora e dentro de casa, está tornando-se o chefe de familia em um mundo cada vez mais exigente e cruel, devido à essas pressões e estress socio-ambientais e um sentimento de falta de esperança, impulsionado na discriminação e falta de suporte sentimental que as mulheres, principalmente de classe social baixa sofrem, as tornam suscetíveis a estados depressivos.
Sem falar no padrão de beleza que é exigido das mulheres. A mídia vende um ideal, que convenhamos nao se adquada ao biotipo brasileiro...O seu cabelo deve ser desse jeito, voce não pode estar acima do peso, seu peito deve ser redondamente perfeito, sua bunda deve ser firme, para ser feliz voce deve ser rica, ter a casa estampada na capa da revista, deve ser super humano, uma super modelo.




Me enoja viver numa sociedade com esses conceitos e fico extremamente triste toda vez que admito uma mulher para tratamento psiquiátrico devido depressão. E notar que aquele brilho, força, vigor e beleza que TODA mulher tem estão apagados, seu olhar está triste, sua voz está calada, seu sorrisso escondido...
As mulheres são dádivas abençoadas geradoras de VIDA e depressão não combina com esse ser mágico!!!


sábado, 21 de janeiro de 2012

DESCANSE EM PAZ ETTA...




Estamos presenciando grandes artistas morrerem e deixarem seu legado na história.

Mas tenho fé que os grandes nomes da música que fizeram parte da geração de nossos bisavós, avós e pais resistam às próximas gerações que estão influenciadas por Justin Bieber, Restart e CIA mediocre que está ganhando cada vez mais espaço na midia.

Espero que os verdadeiros e grandiosos músicos da nossa geração se tornem eternos, ícones e lendas como: Elvis Presley, Jimi Hendrix, Billie Holliday, Marvin Gaye entre outros excelentes artistas tornaram-se e até hoje conquistam fãs pelo mundo.

No dia 20/01/2012 morreu Etta James, uma grande cantora de Blues, R&B, Jazz e Gospel. Etta faleceu aos 73 anos de idade devido complicações provocadas por leucemia. Além de ter uma voz maravilhosa e inconfundível Etta também escrevia suas lindas canções, porém sua carreira foi influenciada pelos seus romances mal sucedidos e problemas com drogas e obesidade. Mas ao longo de sua trajetória conseguiu consolidar-se com grandes músicas como: "The Wallflower", "All I Could Do Was Cry", "Trust in Me" e a clássica e perfeita: "At Last" (que eu adoro!) além da interpretação memorável de "Stormy Weather" (fantástica!!).

Mais de 50 anos passaram desde a execução desses sucessos e Etta continuou a influenciar gerações através de regrações da sua obra por Beyoncé, Crhistina Aguilera, Mariah Carey e servindo de referencia para artistas como: Alicia Keys, Joss Stone, Jennifer Hudson, ou seja, indiretamenta sua obra e essência Soul foram transmitidas para essa garotada do século XXI. Também podemos conhecer um pouco mais da história dessa cantora através do filme "Cadillac Records" de 2008, no qual Beyonce interpreta Etta James e demonstra a ascensão, os traumas e os momentos de decadência na vida da cantora.

Etta faleceu na sexta-feira na Califórnia, mas não devemos chorar pois seu legado, suas composições marcantes, sua voz poderosa de uma paixão dilacerada se tornarão ETERNAS (assim espero, resistindo a Restart's, Michel Teló's, Justin Bieber's). Que sua obra seja eterna e chegue a meus filhos, netos, bisnetos....

Etta James descanse em paz Diva da Soul Music e obrigado por fazer parte da minha vida!



segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Tempo, Tempo, Tempo, Tempo



No primeiro dia do ano fui visitar familiares e isso me fez refletir muito sobre o poder do tempo nas nossas vidas. Principalmente porque no final da noite, ao visitar uma tia avó que já está bem idosa e debilitada, conversamos sobre como as crianças cresceram e sobre como o tempo passa rápido.


A senhorinha com cabelos brancos, pernas fracas, voz rouca e audição prejudicada sempre demonstrou muita alegria com a minha presença e seus olhos brilharam ao me ver ao seu lado.


Perguntou sobre coisas da vida: sobre o trabalho, casa, familia, filho. Apesar do tempo ter enfraquecido suas pernas, desgastado seus ossos, diminuido sua audiçao, é incrível como sua memória e inteligencia estão preservadas.


Ela queixou-se da minha ausencia e disse que sofreu uma queda devido labirintite e que após esse acidente ficou com muita dificuldade para escutar. Isso dificultou um pouco nossa conversa, mas utilizei uma comunicação sensorial em que eu procurava olhar em seus olhos e simplesmente passar admiração, respeito uma maneira carinhosa de dizer que estava feliz em estar ao seu lado desejando-lhe um ano novo melhor: com menos tosse, menos gripe, menos remédios,sem vertigens e sem quedas.


E que sou grato por aquele exemplo de vida e pela oportunidade da reflexão daquela noite em que percebi a progressão das gerações na minha vida: antes eu era filho, hoje sou pai -antes eu era uma criança que sonhava que em 2012 haveria carros voadores e robôs em casa e hoje em dia sou alguém que se esforça pra sonhar...