quarta-feira, 9 de setembro de 2015

DESPETALAR-TE NO MEU PEITO



Espalha-se à vontade pelo quarto

Feito névoa da madrugada
Toma conta do espaço  
Envolve-me por todos os cantos

Acima: a cabeça envolta em viagens 
Aceita ancorar-se em meu braço
Abaixo: ao alcance do toque 
Eis que encontro...
A íntima parte alheia

Renuncias outras paisagens 
Para repousar seu cansaço 
Sobre um leito forrado 
Com lençol estampado
De flores vermelhas

E...
Como flor que fora cortada
Exalando o perfume
Que ficara impregnado
Na pele alva enevoada de sabonete

E...
Como flor que fora cortada
Dum pé de rama luzente
A sonhar mil quimeras
Na cama onde deitas

E corre em meu pensamento
Por um momento oportuno
Tal qual a fome da aurora
Ao dissolver toda névoa e
Embalsamar a lua cheia

Eis que sou jardineiro faminto
Com um desejo doente
De regar sua pétala mais escondida
Sorver seus odores e
Despetalar-te em meu peito






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